sábado, janeiro 07, 2006

Morte do sonho
















Sentada numa rocha à beira mar
Ouvindo o bater das ondas
Sentia no rosto bater o vento gelado
À minha volta um nevoieiro denso e cerrado
Envolvia a solidão do meu estar

Ali naquele mesmo local
Partilhei contigo instantes perfeitos
Num encontro marcado
De dois destinos que se cruzaram
Num acaso de um encontro

Sentada ali naquele nosso lugar
Olhava para a estrada
E sonhadora aguardava
O aparecer da tua silhueta
Num caminho que te trouxesse aqui
Junto de mim

Numa data marcada pela imaginação
Num destino tão familiar
Num noite de solidão
Esperava ali junto ao mar
Querendo que a força da mente
Do pensamento
Do sonho
Da esperança e da minha vontade
Te trouxessem para mim

Sentada junto ao mar
Via as pessoas passar
As ondas do mar revolto de inverno
Dilaceradas nas rochas
O dia a correr como a vida
Rápido e sem retorno

E não vieste

E de repente sem avisar
Forte e intensamente
O cansaço instalou-se em mim

Esgotei a vontade de procurar
A esperança morreu lentamente
A tristeza tomou o lugar da minha alma

Senti a morte do sonho e com ele parte de mim
Caminhei lentamente em direcção ao mar
Gelado e negro como eu
Querendo sem conseguir, gelar os sentimentos
Tentando livrar-me de ti
Procurando soltar o que sinto
E afogá-lo nas ondas deste mar

E olhei para o infinito
Onde o mar e o céu se juntam
E nessa linha mutante e imaginária
Que nunca se consegue encontrar
Estava escrito o fim de nós

19 Comments:

Blogger GNM said...

Está lindíssimo!
Identifiquei-me muito!

Passa um excelente fim de semana!

Continua a sorrir...

2:24 da manhã  
Blogger Pedro Nobre said...

Caros amigos Bloguistas,

É com muita honra que venho anunciar a ida do nosso amigo Poeta Popular novamente à TVI...

Caso deseja saber mais apareça no Seu Blog de Literatura :: NA ESCURIDÃO DA NOITE (www.escuridaonoite.pt.to).

TODOS JUNTOS EM PROL DA LITERATURA

2:40 da manhã  
Blogger AS said...

Acpmpanha-te a noite, para além de qualquer rumo ou de qualquer maré... Ouves o mar e ele trás-te pedaços de sonho moldados ao espaço dos teus braços... caminhas na areia molhada e as estrelas vão assinalando o caminho, um campo de lágrimas brilhantes que o frio da noite cristalizou....
Mas no infinito, nunca estará escrito o final!...

Um beijo

6:56 da tarde  
Blogger ¦☆¦Jøhη¦☆¦ said...

Compreender quando chegou o fim... posso dizer-te que das sensações piores que senti até hoje na minha vida... descobrir que o fim tinha chegado, foi sem dúvida algo que me marcou... no fundo algo que me levou a este mundo...

Beijinho, João.

8:33 da tarde  
Blogger butterfly said...

Está lindo mas muito triste...encarar o fim é sempre tão doloroso,k corrói por dentro e não vemos maneira do sofrimento parar!! Também passo por isso mas prefiro encará-lo como um ponto e vírgula e não um fim...é sempre possivel ver uma continuação se ainda virmos amor!!Se não for esse o caso teremos de ter a força para encarar pois pode ser o fim de algo mas não da nossa existência!!
Beijinhos!!

9:45 da tarde  
Blogger Paulo Silva said...

Não há palavras que possam descrever a beleza e os sentimentos deste poema.
Simplesmente maravilhoso.

10:18 da tarde  
Blogger mixtu said...

nova poesia... muita inspiração...
saludos

11:33 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

A morte serena e tranquila de um bonito sonho de amor, tendo o mar como testemunha...envolvente e ternurento este fim...Encantamentos mil

8:55 da tarde  
Blogger Daniel Aladiah said...

Querida Dalila
Poderia não ser o momento nem o lugar certos, mas o mais provável é que não seria a pessoa certa, pois essa não faltaria ao encontro com o teu desejo.
Um beijo
Daniel

9:47 da manhã  
Blogger Francis said...

Sentido, muito sentido e vivido. Assustadoramente real...
Um grande beijo!

9:53 da manhã  
Blogger Que Bem Cheira A Maresia said...

Acredita que tudo morre, tudo se transforma, mas os sonhos não morrem jamais e são eles que nos fazem ficar de pé e recomeçar de novo.

Beijo grande da Lina

2:08 da tarde  
Blogger Carla said...

o inicio do fim...doloroso
Gostei muito, aliás como tudo o que escreves está lindo e muito sentido.
Bjx e boa semana

11:11 da tarde  
Blogger Pedro Nobre said...

A vida é como o oceano, por vezes mais agitado e n'outras situações calmo e sereno... Um poema de dor e sofrimento de esperança do seu amor chegar, quando se ama espera-se a eternamente... mas quando caimos na realidade é a desgraça total.

Gostei da tua escrita, triste e melancólica mas quem não se sente assim na vida...

Como tu bem dizes "E olhei para o infinito; Onde o mar e o céu se juntam" havia uma sentimento de esperança, mas quando mais te aproximavas ao encontro da junção das duas partes, vias que não a alcançavas. Assim estava o teu sentimento nesse dia junto do mar...

Pedro Nobre

2:17 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

MOMENTO.........

Tão lascivo e intenso
é esse momento,
em que invades meu corpo
com toques de dedos,
música, bicos túrgidos.
E vens, e tomas e bebes
enlaças minhas coxas,
e fendes, e dás, e me tiras.
E, antes antes que desfaleça
em morte, luxúria,
desço entre as tuas pernas;
Desejo de ter-te,
de gozar um prazer, húmido, duro,
que nada se lhe iguala.
Abraço, movimento
tuas ancas em mim,
abro minha boca,
a minha língua procura-te:
Com vontade, pressa,
emergência do querer
sentir-te crescer, provar
o sabor,
de ser preenchida por ti!

10:03 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Há palavras que nos tocam... talvez porque as sentimos na pele, talvez porque nos fazem vivenciar as nossas próprias experiências. A verdade é que tudo o que escrevemos faz, de certa forma, parte de nós, mesmo que faça apenas parte do nosso lado mais secreto. Adorei ler-te!

1:51 da tarde  
Blogger Fernanda said...

Não sei como é que pode existir alguém que descreve tão bem o que eu em tempos senti...
Uma reviravolta, é o que te desejo.
O mar... esse limpará sempre as tuas lárgimas! Acredita.
Bjs
~º(",)º~
Fernanda

3:51 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Voltei para te ler, na esperança de nas tuas palavras a voltar a ver. Um minuto, um segundo, mesmo que antes de morrer.
Gostei da música, perfeito o que escreves, até breve.

3:52 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

"(...)As almas gémeas abraçam-se e querem-se aqui, em nós...mas quando nos fogem...(...)" Beijo num abraço

4:08 da tarde  
Blogger lena said...

o mar e o céu juntam-se lá longe, nessa linha imaginária mas o infinito não tem fim, esse mesmo mar onde caminhas vai certamente trazer-te algo de volta, alegrar a tua alma, aliviar o teu cansaço e deixar que voltes a sonhar

lindo poema, triste, mas lindo e sofrido

deixo-te um beijo e volta a sorrir

lena

10:50 da tarde  

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