terça-feira, janeiro 10, 2006

O cheiro do teu lençol


















Desesperadamente agarrei-me ao lençol
Sentada na cama desalinhada
Pelo meu sonhar e recordar
Aquela mesma cama onde tu estiveste
E onde me amaste descontrolado
Em tardes de verão intermináveis

Agarrei-me ao lençol sentindo-lhe o cheiro
O teu cheiro que já ali não existe
Mas que em mim está vivo e presente
Num atordoamento demente
Que me deixa prostrada e triste

Aquele cheiro que me inebria os sentidos
Que me desperta os desejos
Que me instiga à paixão
Que me acorda a vontade
De te ter sem limites de imaginação
Aquele cheiro...
O cheiro de ti
O cheiro de nós
O cheiro de vontades partilhadas
De desejos aplacados
De momentos cumplices
E silêncios consentidos

Os vestígios do teu cheiro e sabor
Despertam-me no corpo a vontade
Roubam de mim a alma e a razão
Invadem-me de desejo e paixão
E me fazem desaguar num mar de saudade

Agarro o lençol com as mãos fechadas
Limpo a cara molhada
E fecho a alma aos sentimentos
Guardo este lençol que já foi palco do nosso querer
Numa mala onde guardo os sonhos terminados
Fecho a mala e com ela o meu ser
Porque sem ti em mim
Sou alma vazia e corpo oco e sem sentido
E porque sem ti aqui
Não sei o rumo nem o caminho da vida

Fecho-me ao sonho e ao que me rodeia
Sou ser vazio que sozinho vagueia
Na procura da alma e do querer viver
Que de mim fugiram quando naquele dia
De mim fugiste e a mim deixaste de querer

13 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Lindo!!!
Senti uma nostalgia ao ler-te. ..
adorei.
Consegues passar perfeitamente por palavras, o estado da tua alma...
um beijo imenso

10:33 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

O cheiro trás muitas lembranças quando sentido novamente. Por vezes procuramos o cheiro mas ele não chega... mas, quando o sentimos... vivemos de novo. Bjinhos.

12:16 da tarde  
Blogger AS said...

Foi assim o nosso adeus
Havia de chegar o dia
Talvez fosse apenas fantasia
E nos teus olhos e nos meus
Senti acabar a poesia

Talvez os pontos cardiais
Por uma casual distracção
Tivessem enganado o coração
De quem acreditou nos teus sinais
E neles se perdeu em vão

Assim, tudo acaba sem fulgor
Assim, nesta paixão já acabada
Nem um sorriso de amor
E talvez... mais nada!...


Para ti com um beijo

8:48 da tarde  
Blogger ¦☆¦Jøhη¦☆¦ said...

Este é um poema com uma mensagem muito bonita. O amor e a sua ausência é sempre um tema muito triste para quem escreve... mas resulta sempre em poemas muito bonitos.

:) João.

10:25 da tarde  
Blogger Carla said...

O teu gosto agora amargo, estende-se pelo meu corpo com lentidão e faz-me sofrer...cai a solidão, paira sobre mim a presença da tua ausencia, o meu coração começa a sentir, o peso que lhe deste, uma faca a ferir...

11:06 da tarde  
Blogger Jose Martins said...

O cheiro da saudade fere todos os outros sentidos. A loucura intensa trazida pela sensação de toque, envolvência, sedução, prazer e energia transformou-se agora num pálido aroma a ferida aberta que custa a sarar...

Espero que a tua ferida depressa sare e que depressa a pele volte a crescer para que o que dantes era florido, posso voltar a brutar vida...
Beijinho

PS:É a 1ªvez que aqui venho e é com bastante agrado que te digo que voltarei brevemente! :)

11:40 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

A memória pode ser deliciosa ou simplesmente traiçoeira. Revi-me nas tuas palavras, tive a estranha sensação de conhecer o outro lado do teu poema, as sensações, a perda até o cheiro... Porque será que nunca se esquece o que se viveu com intensidade, com fervor... o que nos ultrapassou a nós próprios sem sabermos. Sim o amor é maior que nós e na sua grandeza é inesquecível e implacável no fim.

2:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Apesar da tristeza das palavras, apesar de te sentir triste, e ver que te invade um sentimento de saudade e solidão...gostei do teu texto identifico-me com eles, porque o presente hoje é de luz mas já foi de escuridão, e a incerteza paira sempre no ar....Desculpa a ausêncica tenho andado a fazer serões no trabalho e n tenho tido tempo para nada. A serpente n está esquecida. Beijinho grande n´oteudoceolhar um bom fim de semana FORÇA ***

1:34 da tarde  
Blogger Flor said...

Suberbo este teu canto....muito intimista
Obrigada pelo teu comentário
Um beijo

5:54 da tarde  
Blogger Night said...

Vinha agradecer a visita que me fizeste e fiquei encantado com o que encontrei, tens 3 blogs, todos com o seu encanto especial, gostei do que li, beijinhos, voltarei*

11:54 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Obrigada pelas palavras pela visita...adoro o teu cantinho desde a musica ás palavras...um bom fim de semana. Estou a tentar criar destaques semanais no meu blog....acredita que este será. A falta de tempo está a consumir-me mas assim q me for possivel..Beijo n´oteudoceolhar ***

9:09 da tarde  
Blogger lena said...

um lençol entre os dedos
a saudade de alguém
um vazio na alma
sentires que fogem
e que deixam vaguear
a alma

tanta saudade que fere, numa paixão apagada

dorido o poema, mas lindo

beijinhos, muitos

11:29 da tarde  
Blogger Anjo said...

Nem imaginas como entendo estas palavras...a saudade,a nostalgia e a dor da perda...

Parabéns,tá lindo!
Boa noite
Bjs

9:45 da tarde  

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