quarta-feira, abril 01, 2026

Sentes?





Sentes?
Uma mão que aí não está
Percorrendo-te o corpo descansado
Sentindo cada milímetro de pele
E o cheiro...ah o cheiro que é só teu

Sentes?
O calor do meu corpo pairando sobre o teu
Embalando os teus sonhos
Construindo os teus desejos
Atiçando as tuas vontades

Sentes?
A força do que sou e do que quero
A vontade de te querer
O sonho de te amar
O pesadelo de te perder
O terror do acabar

Sentes?
A saudade que não parte
A tristeza que aqui mora
A falta de ti em mim
O meu querer sem fim
O meu desejo de ti

Se por força do pensamento
O amor acontecer
Então serás meu para sempre
Porque o meu pensar e o meu ser
São só teus
E só aí e então, o meu eu
Estará de novo pleno e completo
Sem ser só em pensamento

Imagem de José Gama em www.1000imagens.com

A folha de Outono




Caminhava só e sem destino
Quando no meu caminho encontrei
Uma folha solitária, como eu
Em tons de outono

Peguei nela com carinho
Porque sem saber explicar
Aquela simples folha parecia conter
A minha alma e o meu ser

Colorida e solitária
Reflectia o meu sentir
E andando com ela na palma da mão
Por aquele caminho sem destino
Fiz dela companhia e confidente
Ser quase vivo e amigo

Nas cores dela vi e senti
A vontade de viver
A dor do abandono
A queda do querer
A perda do sentir
O não querer deixar e desistir
A força de lutar e persistir
Na busca da vida e do amor

Porque por muito só que se possa estar
Há sempre querer viver e amar
Buscar o destino
Encontrar a alma e esquecer a dor de perder
E fazer acontecer

Fotografia de Kristyna - Olhares.com

Nos braços de um anjo





Pela janela olhava as estrelas
Numa noite fria de lua cheia
E do nada apareceu um anjo negro
Que me chamou, me fez sinal
E a esse anjo me entreguei
Nessa noite fria de inverno

Ele disse que me levava
Ao encontro da felicidade
Num lugar calmo e sem sobressalto
Sem dor, tristeza ou saudade

Cansada de procurar por ti
Nos braços do anjo me aninhei
E com ele parti
Numa viagem desconhecida
Em direcção ao infinito

O anjo em mim pegou com ternura
E comigo levantou voo em direcção à vida
Dizendo que tinha encontrado
Quem há tanto tempo lhe tinha sido destinado

Sem perceber o porquê
Perguntei-lhe qual era o seu destino
E ele simplesmente disse
Que o seu destino era eu

E nos braços do anjo descobri
Uma nova vida e destino
Um novo caminho

E nos braços do meu anjo descobri
Que os anjos vagueiam eternamente
Procurando como eu
A vida e a felicidade

E que ao encontrar aquela
Que sentem ser a perfeição procurada
O desejo consentido
A paixão desejada
A entrega perseguida
Ao encontro dela seguem sofregamente
Escolhendo muitas vezes perder a imortalidade
Por amor

E por amor num anjo branco me transformei
Porque escolhi a imortalidade etérea
Do meu anjo negro
Á realidade dolorosa
Do meu amor terreno

Fotografia: www.gettyimages.com

No teu dia




Que neste teu dia
Como que num passe de magia
Todos os sonhos se transformem em realidade
Todos os desejos se cumpram
Todas as vontades sejam feitas
Todas as paixões vividas
E o amor aconteça

Que neste teu dia
Tudo para ti seja perfeito
Todos à tua volta te amem imensamente
Nada seja menos que mágico
Nada seja menos que maravilhoso

Porque neste teu dia
Eu estarei olhando-te de longe
Desejando estar contigo
E mesmo sabendo que esse meu sonho
Não se tornará realidade
Que essa minha vontade não será cumprida
Que o meu desejo não será saciado
Eu estarei aí ao pé de ti
De alma inteira

E sei que embora não me consigas ver
Vais sentir-me
Porque o meu querer é imenso
A saudade muita
O desejo infinito
O carinho inesgotável
E o amor...ainda mora aqui
Em mim

Vem



Abre a mão
Mostra-me o sonho que nela trazes escondido
Partilha-o comigo
Não escondas o sonho - faz dele vida
Não fujas da vida - faz dela sonho
Não sonhes o amor - faz dele presente

Abre a mão - agarra a minha
Vamos juntar os sonhos
Vem, anda, vamos por aí
Sem rumo e sem destino, outros
Que a vontade de estar juntos
Caminhar em passos lentos
Em direcção ao arco-íris
E no fim deste
Encontrar a felicidade

Anda vem...não fujas de ti
Procuro-te desde o início
Encontrei-te aqui
E finalmente encontrei-me a mim

Vem....

Fotografia: www.gettyimages.com

Desperto-me ao teu encontro


Fotografia: www.gettyimages.com

Leve e suavemente sinto a tua mão em mim
Lentamente afagando-me os sonhos
Embalando as ilusões
Alimentando os desejos

Sem abrir os olhos entrego-me
Às sensações
Ao despertar dos sentidos
Á plenitude do momento
À força do desejo

Sinto-te meu e dou-me a ti
Perco-me no reencontro do sentir
Afundo-me na redescoberta do querer
Procuro-me no redespertar das sensações
Encontro-me no toque das tuas mãos

O meu corpo desperto
Acaba com a minha calma
O desejo despertado
Invade-me a alma
A alegria de te reencontrar
Morre no acordar

E ver que mais uma vez...só te sonhei

Hoje choro



Fotografia de António Melo

Hoje choro
Sei que o tempo de dizer-te adeus há muito aconteceu
Sei que o tempo de te esquecer há muito chegou
Sei que deveria virar costas a ti e olhar de frente o futuro

Mas que queres?
Simplesmente não consigo
Dizer-te adeus
Virar-te as costas
Acabar com o sonho
Apagar o desejo
Esquecer a saudade
Partir
Deixar-te para trás

Não consigo
E por isso hoje e sempre
Choro e desespero
Por não conseguir
Por insistir
Por perseguir o sonho
Por te olhar e ver em ti o que tu não queres ver
Por te ver e querer
Por te olhar e ficar
Por não conseguir tirar-te de mim
Por viveres tanto na minha alma
Pelas recordações
Dos momentos...das sensações

Mesmo que seja tempo de dizer adeus
Como diz a canção
Eu não consigo
E choro
A minha solidão