quarta-feira, abril 01, 2026

Sentes?





Sentes?
Uma mão que aí não está
Percorrendo-te o corpo descansado
Sentindo cada milímetro de pele
E o cheiro...ah o cheiro que é só teu

Sentes?
O calor do meu corpo pairando sobre o teu
Embalando os teus sonhos
Construindo os teus desejos
Atiçando as tuas vontades

Sentes?
A força do que sou e do que quero
A vontade de te querer
O sonho de te amar
O pesadelo de te perder
O terror do acabar

Sentes?
A saudade que não parte
A tristeza que aqui mora
A falta de ti em mim
O meu querer sem fim
O meu desejo de ti

Se por força do pensamento
O amor acontecer
Então serás meu para sempre
Porque o meu pensar e o meu ser
São só teus
E só aí e então, o meu eu
Estará de novo pleno e completo
Sem ser só em pensamento

Imagem de José Gama em www.1000imagens.com

A folha de Outono




Caminhava só e sem destino
Quando no meu caminho encontrei
Uma folha solitária, como eu
Em tons de outono

Peguei nela com carinho
Porque sem saber explicar
Aquela simples folha parecia conter
A minha alma e o meu ser

Colorida e solitária
Reflectia o meu sentir
E andando com ela na palma da mão
Por aquele caminho sem destino
Fiz dela companhia e confidente
Ser quase vivo e amigo

Nas cores dela vi e senti
A vontade de viver
A dor do abandono
A queda do querer
A perda do sentir
O não querer deixar e desistir
A força de lutar e persistir
Na busca da vida e do amor

Porque por muito só que se possa estar
Há sempre querer viver e amar
Buscar o destino
Encontrar a alma e esquecer a dor de perder
E fazer acontecer

Fotografia de Kristyna - Olhares.com

Nos braços de um anjo





Pela janela olhava as estrelas
Numa noite fria de lua cheia
E do nada apareceu um anjo negro
Que me chamou, me fez sinal
E a esse anjo me entreguei
Nessa noite fria de inverno

Ele disse que me levava
Ao encontro da felicidade
Num lugar calmo e sem sobressalto
Sem dor, tristeza ou saudade

Cansada de procurar por ti
Nos braços do anjo me aninhei
E com ele parti
Numa viagem desconhecida
Em direcção ao infinito

O anjo em mim pegou com ternura
E comigo levantou voo em direcção à vida
Dizendo que tinha encontrado
Quem há tanto tempo lhe tinha sido destinado

Sem perceber o porquê
Perguntei-lhe qual era o seu destino
E ele simplesmente disse
Que o seu destino era eu

E nos braços do anjo descobri
Uma nova vida e destino
Um novo caminho

E nos braços do meu anjo descobri
Que os anjos vagueiam eternamente
Procurando como eu
A vida e a felicidade

E que ao encontrar aquela
Que sentem ser a perfeição procurada
O desejo consentido
A paixão desejada
A entrega perseguida
Ao encontro dela seguem sofregamente
Escolhendo muitas vezes perder a imortalidade
Por amor

E por amor num anjo branco me transformei
Porque escolhi a imortalidade etérea
Do meu anjo negro
Á realidade dolorosa
Do meu amor terreno

Fotografia: www.gettyimages.com

No teu dia




Que neste teu dia
Como que num passe de magia
Todos os sonhos se transformem em realidade
Todos os desejos se cumpram
Todas as vontades sejam feitas
Todas as paixões vividas
E o amor aconteça

Que neste teu dia
Tudo para ti seja perfeito
Todos à tua volta te amem imensamente
Nada seja menos que mágico
Nada seja menos que maravilhoso

Porque neste teu dia
Eu estarei olhando-te de longe
Desejando estar contigo
E mesmo sabendo que esse meu sonho
Não se tornará realidade
Que essa minha vontade não será cumprida
Que o meu desejo não será saciado
Eu estarei aí ao pé de ti
De alma inteira

E sei que embora não me consigas ver
Vais sentir-me
Porque o meu querer é imenso
A saudade muita
O desejo infinito
O carinho inesgotável
E o amor...ainda mora aqui
Em mim

Vem



Abre a mão
Mostra-me o sonho que nela trazes escondido
Partilha-o comigo
Não escondas o sonho - faz dele vida
Não fujas da vida - faz dela sonho
Não sonhes o amor - faz dele presente

Abre a mão - agarra a minha
Vamos juntar os sonhos
Vem, anda, vamos por aí
Sem rumo e sem destino, outros
Que a vontade de estar juntos
Caminhar em passos lentos
Em direcção ao arco-íris
E no fim deste
Encontrar a felicidade

Anda vem...não fujas de ti
Procuro-te desde o início
Encontrei-te aqui
E finalmente encontrei-me a mim

Vem....

Fotografia: www.gettyimages.com

Desperto-me ao teu encontro


Fotografia: www.gettyimages.com

Leve e suavemente sinto a tua mão em mim
Lentamente afagando-me os sonhos
Embalando as ilusões
Alimentando os desejos

Sem abrir os olhos entrego-me
Às sensações
Ao despertar dos sentidos
Á plenitude do momento
À força do desejo

Sinto-te meu e dou-me a ti
Perco-me no reencontro do sentir
Afundo-me na redescoberta do querer
Procuro-me no redespertar das sensações
Encontro-me no toque das tuas mãos

O meu corpo desperto
Acaba com a minha calma
O desejo despertado
Invade-me a alma
A alegria de te reencontrar
Morre no acordar

E ver que mais uma vez...só te sonhei

Hoje choro



Fotografia de António Melo

Hoje choro
Sei que o tempo de dizer-te adeus há muito aconteceu
Sei que o tempo de te esquecer há muito chegou
Sei que deveria virar costas a ti e olhar de frente o futuro

Mas que queres?
Simplesmente não consigo
Dizer-te adeus
Virar-te as costas
Acabar com o sonho
Apagar o desejo
Esquecer a saudade
Partir
Deixar-te para trás

Não consigo
E por isso hoje e sempre
Choro e desespero
Por não conseguir
Por insistir
Por perseguir o sonho
Por te olhar e ver em ti o que tu não queres ver
Por te ver e querer
Por te olhar e ficar
Por não conseguir tirar-te de mim
Por viveres tanto na minha alma
Pelas recordações
Dos momentos...das sensações

Mesmo que seja tempo de dizer adeus
Como diz a canção
Eu não consigo
E choro
A minha solidão

Para que esquecer

Imagem em www.gettyimages.com


Porque é que me engano
E digo que te quero esquecer
Se esquecer-te é esquecer a minha razão de viver
E morrer um pouco

É deixar acabar tudo o que me faz querer
E se já morro um pouco
Cada vez que te não consigo ver
Para quê querer esquecer-te
Se para te esquecer
Terei que me perder
De mim
E para te esquecer
Terei que deixar de te ver
E tu estás cravado em mim e na minha mente...para sempre

Pó de estrelas



De repente lembrei-me de ti
Tu que foste tanto para mim
De quem sinto uma saudade maior que a vida
Voltaste a aparecer no meu pensamento

Tu gostavas tanto da vida
Do mar e da lua
Da solidão partilhada a dois
Da arte e de pintar
Da poesia e de dançar
De partilhar sonhos e ilusões


E de repente
Quanto mais atrás do teu eu tu ías
Quanto mais perto do final da busca estavas
Quanto mais perto da felicidade te encontravas
Quanto mais meu eras
A vida acabou contigo
Num fim de tarde quente de Dezembro

Nesse dia uma parte de mim partiu contigo
Uma parte da minha alma gelou eternamente
Um pedaço do meu ser perdeu-se para sempre

E uma lágrima solitária contendo o meu amor
Caiu no mar que tanto gostavas de olhar

Tantos anos procurei uma fotografia tua
Que não a cravada na minha alma
E hoje depois de tantos anos
Ela veio parar do nada às minhas mãos
E revivi o teu sorriso aberto
O teu rosto moreno lindo que amava de paixão

Olhei-te e tomou conta de mim
Uma nostalgia imensa
Uma melancolia infinita
Uma saudade eterna e inesgotável

E fui à varanda olhar o céu
Para ver se a estrela que tu és
Ainda ali brilha para mim

E nela vi um brilho mais forte
Um caminho de pó de estrelas
Vagueando ao meu encontro

Estendi a mão para ele
E senti nesse instante
Meu amor perdido

Novamente na minha alma
Toda a dor da solidão
Da morte da paixão
Sem chance de ser vivida

E senti meu amor partido
O calor do teu ser
O brilho da tua alma
O sonho da tua vida
Inundando-me a mim

Senti-te vivo e meu novamente

Adeus meu lindo
Hoje fizeste-me feliz
Mais uma vez

Lágrimas à chuva



As lágrimas e a chuva confundem-se em mim
Na minha alma desnuda
Nesta noite de inverno

Despi-me de mim e do meu ser
E entreguei-me à solidão do mar revolto
O meu corpo desnudo estremece a cada onda
A minha saudade é lavada por cada gota de chuva

Choro, e as lágrimas
Confundem-se com a chuva que cai
Com os salpicos de mar
Com a dor de te amar
Com a solidão de te querer

Dispo-me do sonho
Visto a desistência da ilusão
Dispo-me do meu querer
Visto a permanência da solidão
Entrego-me a mim e ao meu mar
Ali onde um dia me entreguei a ti e ao teu amar

Onde juntos vimos o nascer do sol
Pisámos a areia fria e solta
Sentimos a água gelada e revolta
Numa madrugada de verão
De mãos dadas, olhos nos olhos plenos de paixão

Olhando o caminho por onde passámos
Procuro agora os trilhos do nosso andar
Mas descubro que foram levados pelas ondas do mar
Como o foram as emoções e vontades partilhadas
Naquela madrugada

Brindas comigo?



Brinda comigo à felicidade
Porque só contigo aqui em mim
Poderá ela um dia ser verdade

Brinda comigo à verdade
Das coisas simples, do amor
Dos sonhos sonhados a dois
Das memórias
Do soltar das ilusões
Da partilha dos desejos

Brinda comigo ao adeus
Mas ao adeus consentido e mútuo
Não aquele imposto e unilateral
Não aquele que deixa rasto de mágoa
Ferida de verdade
Dor que atrofia
Vontade de não acordar

Não brindes comigo à dor
Porque com ela convivo sempre
Não brindes comigo à solidão
Porque essa é minha constante
Não brindes comigo à tristeza
Porque essa dorme comigo
Não brindes comigo ao abandono
Porque...ah esse conheço-o bem
E foi-me imposto por ti
Sem pedir
Sem querer
Sem poder
Evitar

Brinda comigo a mim
Só a mim
Porque brindar a nós dois
Já o não sabes fazer

Acendes?



Tu, que andas longe de mim e do meu sentir
Acende de novo a esperança e o desejo
Pede-me para dançar um tango argentino
E numa volta do destino
Prende-me a ti para sempre

Liberta em mim o desejo de te ter
Não o apagues, acende-o, revive-me
Trás-me de novo a paixão adormecida
A vontade escondida
Toca em mim e leva-me para longe

Nas asas de um desejo que só nós sabemos ter
Naquela nuvem dourada que só nós sabemos conhecer
No rasto do pó de estrelas que só contigo sei sentir
Na força de um querer de uma vontade de estar, de não partir
E no trilho de emoções que só tu acendes
Só tu crias
Só tu revives
Só tu consegues

Acende de novo a minha alma
Desta vez não como um isqueiro de chama breve e efémere
Mas como uma lareira de chama quente, intensa e eterna
E dá-me vida novamente

Pus a mesa



Pus a mesa para dois
A preceito como deve ser
Tudo a condizer

A toalha que mais gostas
Os teus talheres preferidos
O copo de vinho tinto
O guardanapo dobrado em linho fino

O arranjo de orquídeas no centro
Orquídeas brancas e puras
Orquídeas vermelhas e misteriosas
Numa fusão perfeita de ideias e intenções

No forno a tua comida preferida
Um aroma de carinho
Por toda a casa
Um toque de meiguice
Um tratar bem quem se ama

No ar pairava o odor sensual
Da essência de Ylang Ylang
A tua preferida
Aquela que te desperta os sentidos

Em mim pairava o cheiro
Do Chanel Allure
Aquele que te tira do sério
Que te faz sonhar desejos
E realizar vontades

E pairava em mim a nostalgia de ti
Quando à mesa posta para dois
Me sentei só
E só jantei
Na companhia das memórias e da saudade
De ti

Mudança e paragem

Amigos, o meu primeiro Blog, o http://moonlight.blog.pt vai ficar temporariamente parado...uma fase temporária que não sei quanto tempo durará. Alguns dos antigos posts, os que mais se encaixam no espírito do novo blog (http://o-meu-alterego.blogspot.com)serão para este transferidos...
Quando a imaginação o ditar o simplesmente mais eu será reaberto...espero que em breve. Os outros blogs continuam...
Beijocas

Á luz da lua



Sentei-me numa pedra nua
Numa noite de luar
A luz da lua esbatia-se
Num mar calmo e resignado
Negro, solto, misterioso

Sentei-me nessa pedra sobre o mar
E dele senti o gelo que me tocou
Juntando-se ao gelo de mim
Invadindo a minha alma
Numa sintonia de sentimentos

Olhei para o mar com olhos de perda
E lembrei-me de uma noite antiga
Em que pensei viver um sonho de verão
E afinal...tinha somente começado
Mais um perder na minha estrada
Da vida

Lembrei-me de um mar revolto
Azul profundo e quente
Um céu estrelado e envolvente
Uma noite mágica e perfeita

Lembrei-me de uns olhos castanhos
Que pareciam querer dar-me tudo
De umas mãos quentes e firmes
De uma boca bela e provocante
De uma voz profunda
Sussurrando palavras sem nexo
Outro que não o do desejo e da paixão

Sentada na pedra solitária
Olhando o mar gelado a beijar-me os pés
Lembrei-me de ti e daquela noite mágica
E sorri

Fotografia de T Cairns - www.photo.net

Cartão de Natal para ti



Pensei em desejar-te bom natal
Mas achei que seria banal
Igual
A tantos outros postais de natal





Pensei em dizer-te que sinto a tua falta
Em mim
No meu ser
Que sinto saudade de te ter
Mas tive medo de saber
Que tinhas deitado fora a carta

Pensei em mandar-te uma SMS
Mas achei
Que como tantas outras
Ficaria sem resposta
Ou que seria apagada
Deitada fora
Lançada ao vento

Pensei
Em dizer-te que te quero
Que te procuro
Que em cada passo te perco
Em cada memória te encontro
Em cada rosto te vejo
Em cada carícia do vento te sinto

Mas achei que não quererias
ouvir o que tanto te quero dizer

Pensei em perguntar-te porquê
Mas achei que o teu porquê
Seria a morte da minha alma

Decidi então oferecer-te as duas coisas
Que um dia quiseste roubar
Sem saber que já eram tuas
E mesmo sabendo que as não queres
Toma, são teus, aqui estão
A minha alma e o meu coração

Feliz Natal




















Um simples cartão de natal
Para os amigos blogueiros
Cheio de carinho e ternura

Um post cheio de velas
Para que nunca vos falte luz, calor
Um post cheio de amizade
Desejando que nunca vos falte ternura e amor

Um desejo de Feliz Natal
De forma pouco inspirada
Deixando por mim falar a música
Pela Mariah Carey tão estupendamente cantada

Feliz Natal a todos
Os que por aqui param
Comentam ou simplesmente passam
Um Natal cheio de luz e cor
Felicidade, carinho e amor

Beijokas

A bola de vidente


















Queria ser uma bola de vidente
Para saber o que vai na tua mente
Essa mente estranha e que tanto mente
A si mesma

Essa mente que tanto me leva ao cume
da alegria
quanto
à mais profunda tristeza

Essa mente que por vezes te trai
E deixa ver que tens tanto para dar
E que tanto queres receber
Essa mente que no instante seguinte
Te fecha os sentimentos e te deixa indiferente

Essa mente que procuro entender
Que busco perceber
Quando nos raros momentos
Em que mostra o teu verdadeiro ser
Pega em mim e leva-me
Procura-me desesperadamente
E faz-me infinitamente
Feliz

Essa mente que quando se fecha
Quando te afasta de mim
Me abandona e
Me faz profundamente
Infeliz

Dark side of the moon


















Leva-me para o outro lado da lua
E faz-me tua
Não me mostres o lado escuro e sombrio
Dá-me o lado amor e cor

Para que comigo fique a recordação
Do momento de entrega e de paixão
Para que em mim fique a marca
De ti, do teu cheiro, do teu sabor
Do encontro, dos desejos e do amor

Dos momentos de partilha e cumplicidade
De instantes de desejo e sensualidde
De horas de abandono sem a dor
Do acordar
E não te ter

Leva-me para o outro da lua
E sou tua
Até quando me deixares

Tempestade de desejos














A minha alma fica um vazio insuportável
Quando não estás perto de mim
Fica oca e sem rumo
Numa espiral de desespero sem fim
No afundar da vontade que tenho de ti
Na falta que sinto do que és para mim

A minha alma fica assim
Uma tempestade de luz e cor
Quando ao longe te vê e sente
Que voltaste para perto e por algum tempo
Mesmo que seja só um instante

A minha alma abre-se num remoinho de emoções
Num relampago de alegria e saudade
Quando aqui estás, assim perto de mim
Quando me chamas e vens
Quando me queres e me tens
Fico assim...
Uma luz brilhante e fascinante
Numa noite escura e estrelada
Fico assim...entregue e abandonada
Em ti

Talvez



















Talvez por uma reviravlta do destino
O ano que aí vem
Te traga para junto de mim

Talvez por um simples acaso
Esse mesmo ano me afaste de mim

E me faça ver e querer
O mundo à minha frente
E me faça olhar e desejar
Quem me olha, quer e deseja

E me faça livre
Do que sinto por ti

Talvez....por eu querer tanto
E tão desesperadamente
Venhas tu ter a mim
Simplesmente de presente
Meu e só meu
Finalmente

Afinal sonhar...comanda a vida


Feliz 2006 para todos vocês amigos e passantes, que este 2006 traga tudo o que queremos, realize tudo o que sonhamos, nos traga algo de bom...e muita amizade

Beijokas a todos

Goodbye my lover















Nestas letras vai assim
Um bocadinho de mim para ti
E mesmo sabendo que não estás
Nem aí
Eu gosto de gostar assim...
De ti

Assim como sou
Como me dou
Como me entrego
Como procuro
Como desejo
Como quero

Mas sabes...
Gosto mais ainda de mim
E nada nem ninguém me fazem perder
A dignidade,o amor próprio e a minha forma de ser

E não deixo que nada nem ninguém
Me magoe repetida e intencionalmente
Como tu
Nem mesmo gostando e querendo
Tão desesperada e intensamente
Nem assim

E o teu eu que eu amo de paixão
É simplesmente minha imaginação
Ou de curta duração

E quando ele parte
Só resta o teu eu de quem não gosto
Aquele que não sabe ser feliz e que mente
Aquele que tem medo de gostar e de querer
Aquele que é ausente e distante

E por isso meu amor
Prefiro desistir
De insistir
No que é inexistente
E partir, fugir,
Sair de leve e devagar
E deixar de estar presente
E continuar a amar ausente
De ti

E espero que um dia não muito distante
Consigas querer e ser feliz
E que ames muito, assim tanto
Como eu gosto de ti
E que esse alguém de ti goste também

Mas aí tem cuidado
Não a trates assim como a mim

Se o fizeres
Só aí e então
Vais entender e descobrir
Porque desisti
De ti


Goodbye my lover

A chuva e tu













A chuva bate na janela
O vento sussura-me ao ouvido
O teu nome
Num gemido inquietante

Procuro isolar o pensamento
Tirar a tua imagem de mim
Expulsar o som da tua voz
Que vive no meu ser
Fechar os sentidos ao teu cheiro
Ao calor do teu corpo
À intensidade do teu toque
À profundidade
Da cor e da solidão
Nos teus olhos castanhos

Saio para a rua e para a chuva
Deixo-a cair em mim gelada
E ando sem rumo e sem fim
O vento forte bate em mim
E lembra-me a tempestade do teu desejo
A intensidade da tua vontade
A crueldade do teu abandono

Ando só pela cidade
Nesta madrugada fria e bela
Ando só com a saudade
De te ter novamente

Sento-me à beira mar
Ali onde me levaste
Ali onde me beijaste
Ali onde me quiseste
E deixo a chuva cair
E deixo o vento gemer
Apoio a cabeça nos braços
E deixo o meu pensamento voar
De encontro a ti....

Morte do sonho
















Sentada numa rocha à beira mar
Ouvindo o bater das ondas
Sentia no rosto bater o vento gelado
À minha volta um nevoieiro denso e cerrado
Envolvia a solidão do meu estar

Ali naquele mesmo local
Partilhei contigo instantes perfeitos
Num encontro marcado
De dois destinos que se cruzaram
Num acaso de um encontro

Sentada ali naquele nosso lugar
Olhava para a estrada
E sonhadora aguardava
O aparecer da tua silhueta
Num caminho que te trouxesse aqui
Junto de mim

Numa data marcada pela imaginação
Num destino tão familiar
Num noite de solidão
Esperava ali junto ao mar
Querendo que a força da mente
Do pensamento
Do sonho
Da esperança e da minha vontade
Te trouxessem para mim

Sentada junto ao mar
Via as pessoas passar
As ondas do mar revolto de inverno
Dilaceradas nas rochas
O dia a correr como a vida
Rápido e sem retorno

E não vieste

E de repente sem avisar
Forte e intensamente
O cansaço instalou-se em mim

Esgotei a vontade de procurar
A esperança morreu lentamente
A tristeza tomou o lugar da minha alma

Senti a morte do sonho e com ele parte de mim
Caminhei lentamente em direcção ao mar
Gelado e negro como eu
Querendo sem conseguir, gelar os sentimentos
Tentando livrar-me de ti
Procurando soltar o que sinto
E afogá-lo nas ondas deste mar

E olhei para o infinito
Onde o mar e o céu se juntam
E nessa linha mutante e imaginária
Que nunca se consegue encontrar
Estava escrito o fim de nós

O cheiro do teu lençol


















Desesperadamente agarrei-me ao lençol
Sentada na cama desalinhada
Pelo meu sonhar e recordar
Aquela mesma cama onde tu estiveste
E onde me amaste descontrolado
Em tardes de verão intermináveis

Agarrei-me ao lençol sentindo-lhe o cheiro
O teu cheiro que já ali não existe
Mas que em mim está vivo e presente
Num atordoamento demente
Que me deixa prostrada e triste

Aquele cheiro que me inebria os sentidos
Que me desperta os desejos
Que me instiga à paixão
Que me acorda a vontade
De te ter sem limites de imaginação
Aquele cheiro...
O cheiro de ti
O cheiro de nós
O cheiro de vontades partilhadas
De desejos aplacados
De momentos cumplices
E silêncios consentidos

Os vestígios do teu cheiro e sabor
Despertam-me no corpo a vontade
Roubam de mim a alma e a razão
Invadem-me de desejo e paixão
E me fazem desaguar num mar de saudade

Agarro o lençol com as mãos fechadas
Limpo a cara molhada
E fecho a alma aos sentimentos
Guardo este lençol que já foi palco do nosso querer
Numa mala onde guardo os sonhos terminados
Fecho a mala e com ela o meu ser
Porque sem ti em mim
Sou alma vazia e corpo oco e sem sentido
E porque sem ti aqui
Não sei o rumo nem o caminho da vida

Fecho-me ao sonho e ao que me rodeia
Sou ser vazio que sozinho vagueia
Na procura da alma e do querer viver
Que de mim fugiram quando naquele dia
De mim fugiste e a mim deixaste de querer

Mascaro-me e escondo




















Mascaro-me de cores vivas e alegres
Para esconder o cinzento do meu ser
Ponho a máscara da alegria
Para esconder a tristeza do meu eu
Ponho a máscara da descrença
Para fugir à certeza que te perdi

Ponho a máscara que me esconde os pensamentos
Passo a imagem da leveza
Para disfarçar o peso da solidão
Solto uma gargalhada intensa
Para abafar o choro que teima em se soltar

Escondo o que penso por trás
Da uma máscara colorida e alegre
E por trás da máscara que uso
Faço de mim um ser oco de sentimentos
Vazio de alma
Perdido de vontades
Desistido de desejos

Não deixo que ninguém a tire
Porque um dia a coloquei por ti
Não deixo que ninguém a arranque
Porque um dia a colei na alma
E passei a existir mascarada
Para esconder
O vazio da existência sem ti...

O beijo à distância




















Levemente encostei os lábios nos teus
Assim como se fosse uma brisa de vento
Afaguei-te os lábios com os meus
Lentamente, delicadamente, com toda a minha sede de ti
Beijei-te com a saudade da tua ausência
E a vontade do meu imenso querer

Senti-te estremecer num calafrio
Que te deixou inquieto e pasmo
Um tremer de lábios intenso
Que te atiçou a alma e te tirou a calma

Vi-te levar a mão aos lábios
Num desassossego inquieto
Vi-te morder o lábio com força
Na lembrança de outros beijos
Vi-te abanar a cabeça de descrença
Num momento de deja vu

Vi os teus olhos escurecer de saudade
Vi-te passar as mãos pelo cabelo, confuso e triste
E fechar as mãos com a força da vontade
Do desejo desperto
Da nostalgia do ter perdido
Da mágoa do amor agora adormecido

Sorri ao longe,um sorriso triste e matreiro
Encostei a cabeça ao vidro gelado da janela
E na força do pensamento
Beijei-te uma e outra vez
Com a certeza de que o desejo
Despertou e tomou conta de ti
E que a minha presença no teu eu
Ficou mais impregnada e profunda
Do que se eu estivesse aí
Ao pé de ti

O toque leve da brisa nos teus lábios
Fez-te perder a razão
E mergulhas-te irremediavelmente
Nas memórias de nós dois
E foste meu...mais uma vez

Só tu despertas















Olhas-me nos olhos
Desnudas-me a alma
Tiras-me a calma
Como só tu consegues fazer

Olhas-me intenso e com paixão
E um calafrio percorre-me
De alto a baixo
Forte e arrebatador
Como só tu consegues provocar

Olhas-me e sorris
E o arco-íris instala-se em mim
Transformo-me num ser de cor e emoção
O sol brilha em tons de paixão
O sonho renasce
O desejo acorda

Olhas-me bem fundo nos olhos
E acendes em mim a fome do teu ser
Aproximo-me de ti devagar
Aproximo os olhos dos teus
E mergulho neles
Finalmente viva e acordada
Para ti

Porque só tu consegues em mim
Despertar a vida e a paixão
De forma tão intensa e perturbadora
E provocar em mim a tristeza e a desistência
De forma tão intensa e demolidora

Só tu....
Olha-me mais uma vez
Deixa-me perder em ti
Deixa-me ser....eu

Hoje apetece-me...tu




















Apetece-me encostar-me a ti
Assim por trás
Sentir o calor da tua força
A vontade do teu desejo
O contorno do teu corpo
Desenhá-lo com os dedos
Levemente, lentamente
Como tanto gostas

Hoje apetece-me sentir-te assim
Forte, quente, meu
Partilhar contigo carinho
Vontades, sonhos e desejos
Assim, mergulhada em ti
Sentir o teu cheiro e a tua vontade
De mim...

Sinto-te sempre em mim



















Eu sei que é hora de esquecer
De te deixar
De perder
E abandonar
O sonho de te ter

Eu sei sim...há tanto tempo
O que devia fazer
Mas não sei nem mesmo querer
Tirar-te de dentro de mim

Ouves a música?
Ela diz tudo
Oiço a tua voz no vento que sopra
Sinto o teu cheiro no ar que respiro
Sinto-te em mim, entranhado na pele
Toco-te mesmo sem te ter
Tenho-te sem estares presente
E mesmo ausente estás sempre aqui

Sonho contigo
E nos meus sonhos
Estendo a mão e toco a tua boca
Que amo de paixão
Perco-me nesses teus olhos que tanto quero
Abandono-me no teu envolver que tanto procuro
Desejo-te num querer interminável
Que me queima a pele

Ouves a música?
Não deixes morrer o sonho
Não deixes acabar a esperança
Devolve-me a alma perdida
Trás-me de volta o sonho
E vem com ele também
Aqui...para perto de mim

E se não vieres
E se tiver que te esquecer
Mesmo assim
Não vou conseguir
Tirar-te de dentro de mim
Desentranhar-te da minha alma
Arrancar-te do meu sentir

E mesmo que parta ao encontro de outro querer
Eu sei que tu ficarás para sempre aqui
Em mim

Eu, tu, nós



















Sentada numa rocha sobre o mar
Via o sol nascer imponente e iluminado
O dia tomava conta da noite
Numa profusão de sons, cores e cheiros
Mas na minha alma imperava a solidão
Em tons de negro e cinza

Olhava o céu em cores de arco-íris
Que se espelhavam no mar chão
Olhava as estrelas a desaparecer
A luz da lua a esmorecer
As gaivotas a despertar em miados soltos
Que angustiavam a minha alma
Acabavam com a calma
Tanto procurada
E aqui encontrada

Olhava a beleza do que me rodeava
Mas na minha cegueira de alma
Não via nada à minha volta
Estava fechada ao sonho e à beleza
Num adormecer de quereres que me invadiu
No dia em fugiste de nós
E me deixaste assim só e sem vida
Que não as lembranças e as memórias
De ti, de mim e de nós

Senti uma mão no meu ombro
Sacudi a cabeça para afastar a ilusão
Mas o sonho transformara-se em realidade
E tu ali ficaste a meu lado
Um sorriso aberto, um olhar profundo
Que me dizia mais que tudo
E nesse instante preciso
Numa explosão de cores
A vida voltou a ser uma realidade esfuziante
De sonho, paixão, vontade, partilha e desejo
E nesse instante em que me tocaste
Despertei para o que tinhas adormecido em mim

Eu, tu e nós
E novamente me senti eu, inteira e plena
Nos teus braços e no nosso sonho

Ainda és meu




















Estás entranhado em mim
Profundamente
Sem retorno
Desespero-me por ser assim
Porque acordo e não te tenho
Sinto-me amordaçada, perdida, desorientada
Pela falta que sinto de ti

Fecho os olhos meu amor perdido
E vejo em mim cada detalhe de ti
Desenho com os dedos cada pedacinho do teu corpo
Procuro com os lábios a maciez da tua boca
A sofreguidão do teu beijo
E não encontro
Mas sinto a sua presença
Profundamente vincada em mim

Fecho os olhos e oiço a música
Que invade o espaço à minha volta
Levando-me em recordações ao pé de ti
Inspiro lentamente e com volúpia
Sinto o teu cheiro invadir-me
Inebriando-me os sentidos
Tomando-me o juízo
E perco a noção do que faço
Pela força da tua presença em mim
Pela dor da tua ausência aqui

Não te procuro, não preciso
Porque já te tenho comigo
Sim, tomaste conta de mim e do meu corpo
Dos meus sonhos e das minhas ilusões
Das minhas memórias e dos meus desejos
Dos meus prazeres e das minhas procuras
Das minhas vontades e quereres
Sim, sinto-te aqui mesmo tendo partido
És parte de mim e do que sou
Mesmo que queiras não o ser

É inevitável,
Mesmo fugindo de mim
És meu
Mesmo desistindo de nós
És meu
Mesmo não te vendo
Serás sempre meu
Porque em mim ficáste
Tão profundamente marcado
Que mesmo amordaçada a minha alma
A minha vontade está solta

E
Sinto-te, tenho-te, quero-te
És meu e estás aqui
Sempre presente em mim

As minhas manias






















Respondendo ao desafio da Lina

As minhas manias


Discutir,discutir, discutir..quando tenho razão
Morder o lábio quando estou concentrada
Ficar no computador até de madrugada...e ver nascer o sol
Ler sempre a última página do livro (Lina....é melhor k a do meio lol)
Não conseguir resistir a um bolo de chocolate

E
pronto e mais nada....

O vazio




















Pedi-te um dia que me dissesses
O que os meus olhos te diziam
Olhaste para eles de relance
Num olhar desprendido e confiante
E disseste que te pediam:
Faz amor comigo

Estavas enganado meu querido
Os meus olhos simplesmente diziam
Ama-me como te amo a ti
Com paixão, desejo, e muito querer
Desesperadamente
Intensamente
Para sempre

Nesse olhar casual e superficial
Viste o que querias ver
O que te acalmava os sentidos
O que te saciava os desejos
Que te possuía as vontades
Que te satisfazia o querer breve
De estar comigo

Mas hoje amor se olhares
Só verás olhos vazios e sem sentir
Olhos magoados e inertes
Olhos cansados e desistidos
De tanto te querer
E não ter

Amo-te tanto....

A cadeira














Vês a cadeira solitária no meio da sala vazia?
Um dia já foram duas uma ao lado da outra
Como nós

Hoje a cadeira está só
No meio de uma sala vazia e fria
E eu vazia e só
Cansei-me de esperar por ti
E nunca te ver chegar

Olho a cadeira vazia de ti
A sala oca e sem sentido
E lembro-me de gargalhadas soltas
Momentos partilhados
Silêncios cumplices
Noites estreladas
Jantares a dois
Noites de amor intenso e entregue
Partilhas e sentidos e desejos

Lembro-me com nostalgia
Uma sombra de melancolia
Um mundo de tristeza
Um mar de saudade

Hoje vou deitar fora a cadeira da ilusão
E sentar-me na cadeira da esperança
Que não espera por ti
E adivinha outro amor chegar

És pegada marcada em mim























Chamaste e eu fui mais uma vez
Decidida a não querer
Resolvida a não ceder
A tudo o que me fazes ser e querer

A tua voz ao telefone lembrava momentos felizes
Estados de alma esfuziantes
Pedaços de arco-íris no cinzento da minha rota
Desejos infinitos, um amor que não tem fim

Fui amor....como sempre vou
Sempre que me queres e me chamas
Me tens
Quando me procuras e me buscas
Sou tua,
Hoje,ontem, amanhã
Não te resisto

És aquilo que tanto procurei
És vício que não quero largar
Veneno que tomo sofregamente
Desejo que não me deixa partir

És tanto quando estamos juntos
És infinitamente mais quando partes
És pegada na minha alma
Deixada e enterrada no fundo do meu ser
E que mesmo que queira arrancar de mim
Apagar do meu corpo
Esta ali...indelevelmente marcada

Mais uma ves me tiveste
Mais uma vez juntos acontecemos
Mais uma vez fui tua entregue e completa
Mais uma vez te deste intenso, sofrego, desesperado
E mais uma vez me disseste
"Parto para a semana..não sei quando volto..ou se volto"

E mais uma vez me parti em mil pedaços
Senti a alma gelar
O corpo desesperar
Com a tua partida repentina
Numa ida que nunca sabemos se tem regresso
Mas num amor que nunca perderás
Porque amor tu és
A pegada marcada na minha alma
Que me faz viver e ser eu

Brumas




















Madrugada sem dormir
Espreitei pela janela
Na bruma a lua chama-me
Magnética e misteriosa
Solitária como eu

Saio à rua ao encontro da luz da lua
Sigo o rasto por entre caminhos desertos
Numa noite fria em que o vento murmura gemidos e pedidos
E as nuvens escuras falam de histórias inacabadas

Caminho...lentamente e de destino escolhido
Ao encontro das memórias de noites perdidas
Junto ao mar e à luz da lua
Noites partilhadas e intermináveis
Desertas de mágoa
Plenas de silêncios e cumplicidade

O frio na noite desperta-me
A bruma que me envolve reconforta-me
Porque hoje a minha alma é negra
Plena de saudades e angústias
E no meio da praia escura
Onde finalmente aportei
Sinto-me leve e solto as amarras
Que me prendem à tristeza

E envolvida pela luz da lua
Renasço para as lembranças
E novamente me junto a ti
E sinto em mim
As tuas mãos
No meu ouvido
Os teus múrmurios
E sei...que mesmo longe
Estás aqui comigo

Deito-me na areia
Deixo o mar lavar-me a alma
E com ele vem a calma
Do soltar da angústia
Do acabar do pesadelo
E do chegar do momento
Em que só e plena
Me encontro conosco

Tanta saudade do nascer do sol em ti




















Solidão
Saudade
Tristeza
Vontade de ter
Desejo de te ver

Passeios a dois na madrugada
Chuva lá fora
Olhos castanhos maliciosos e escuros de desejo
Abraços fortes, beijos sedentos
Nascer do sol na praia a dois

Areia solta...mar azul
Sonhos e cumplicidades
Imaginação à solta
Lembranças e memórias em sobressalto

Despedidas que não se quer
Reencontros há tanto esperados
Desencontros que não se procuram
Cumplicidade e partilha que se querem

Tudo isso és tu e eu
Tudo isso se traduz em ti
Tudo isso se sente em mim
Tudo isso junto
Completa-se e entranha-se na minha alma

Tudo isso e muito mais
É o que sinto por ti

Hoje a saudade aperta
E olho o telefone
Esperando que toque na madrugada
E do outro lado a tua voz
Me desperte e encante
E me faça relembrar o nascer do sol
Que contigo vi....um dia em tons quentes e laranja
Sentindo em mim
A força do teu querer

Em ti me perco e me encontro













Um susurro,um murmúrio,um pensamento
Uma ilusão,um querer mais que querer
Um sonho muito além do desejo e do momento
Uma vontade forte, intensa, plena
Um querer mais que tudo, infinitamente

Na memória passam sonhos e ilusões
Construídos em dias intensos e quentes
Em cada encontro, cada olhar, cada momento

Do outro lado da rua a varanda agora vazia
A varanda da sedução e da conquista
A varanda onde um dia lá estiveste
A varanda de onde um dia saíste
Ao meu encontro

Vazia e oca encosto a cabeça há janela
E o frio do vento gelado adormece a minha dor
A saudade essa...é permanente e não me deixa esquecer
Faz de mim uma simples silhueta de momentos
Um involucro vazio de sentimentos
Para uma alma que procura por ti

Em cada canto, em cada lugar
Mesmo ausente estás presente
E a dor de te amar tão intensamente
É infinitamente maior
Contigo...assim distante
Do que aqui....comigo e presente

E mais uma vez numa madrugada solitária
Olho a lua brilhar para mim
Fecho os olhos e sinto-te aqui
Estendo a mão e toco em ti
E não quero acordar mais
Porque sei que se o fizer
Não te encontro
E perco mais um pouco de mim

Desculpas

As minhas desculpas a quem tentou comentar e não conseguiu...não sei o que se passou e os settings foram alterados...mas já tá tudo normal.

Beijos todos

Deriva










Um barco solitário á deriva
Assim sou eu
Num mar calmo e plano
A tempestade só existe em mim
Olho em volta e a solidão impera
Olho para mim e não me vejo
Sou sombra e inexistência
Sou passado que já não volta
Com medo de olhar para o futuro

Nesse barco parado à luz da lua
Tento construir o meu eu
Tento juntar os meus pedaços soltos
Tento recuperar a minha alma

No barco ao sabor do mar flutuando
Em direcção ao destino incerto
Entrego o que sou
Recupero o que perdi
Esqueço o que pedi
E procuro encontrar a vida

No barco...sob a luz da lua
Olho o mar plano e dourado
E nele reflectido
Estás tu
Sempre tu
E no meio desta insanidade
Resta-me a esperança de um reencontro
Num destino não marcado
Escolhido pela força do que quero
Pela vontade do que sinto

E por isso meu amor perdido
Neste barco à deriva
Sob a luz da lua
Do nosso mar
Espero por ti
Hoje
Amanhã
Eternamente

Quero acreditar













Quero motivos para acreditar
Que a estrada tem fim
Que a procura acaba
Que o sonho ainda comanda a vida
Que a interminável força do querer
No fim resulta no encontro
Na partilha do nosso ser

Quero razões para querer continuar
Para não desistir
Para encontrar o rumo
Um dia perdido

Quero razões para acreditar
Que a alma um dia roubada
E contigo ficada
Está entregue á felicidade
E não perdida nos caprichos
De um inconstante e interminável procurar
Pelo impossível

Quero olhar para a estrada percorrida
E encontrar partilha
E achar paixão e desejo
E sentir amor e companhia
Quero no fundo dela
Encontrar o arco-íris
Do teu sorriso

Quero conseguir querer
Quero procurar amar
Quero sentir em mim
A força que tu és
Quero...ah como quero
Terminar de percorrer essa estrada
Hoje sem fim
E encontrar o teu sorriso
À minha espera
E ouvir como diz a canção:
Now I found a reason to stay alive

Olhar para trás














Não olhei para trás
Sabia que lá não estavas
E mesmo que por um acaso do destino
Tu lá estivesses
Eu não olharia para trás
Porque o teu tempo passou
Diluído na dor que me causaste
Na tristeza de seres tão menos
Na desilusão de seres tão pouco

Para trás olhei
Mas para aqueles que comigo ficam
Nas horas boas e más
Para aqueles que tanto são
Na simplicidade de simplesmente ser
Amigos e companheiros
Leais e indispensáveis
Porque aqui meu ex-amor
O descartável acabas sendo tu
E apesar do amor aqui morar
Apesar da paixão ser para ficar
Desisti de te esperar
De olhar para trás e nunca te ver
E avancei em direcção ao mundo e ao futuro
De mãos dadas com os que me querem

E não quis olhar para trás
E não volto a olhar para onde estás
Passaste a página virada
Num destino e num futuro
Que se querem brilhantes

A corrente





Agachei-me
Calma e angustiadamente apanhei do chão
Cada pedacinho de mim
Apanhei-os com muito carinho
Por em cada um deles estava contido
Um pedacinho de ti
Um pedacinho que em mim fica marcado
Embebido e cravado
Com a força do meu querer
Fui encaixando cada pedacinho
Sabendo que mais alguns íam faltar
Sabendo que mais uma parte de mim se perdeu
Para o fim deixei os pedacinhos
Que correspondem ao coração
Aqueles onde a tua presença é mais forte
E a dor de te perder é mais aguda
Terminei de me reconstruir
E num rasgo de lucidez
Acorrentei os sentimentos e os quereres
E deitei a chave fora
Levantei a cabeça
E segui em frente
Solitária e gelada
Em mais uma estrada da vida

Procuro a alma perdida e a imaginação que me foge





Tento lembrar-me de quantas vezes o tentei
Sempre sem conseguir
De quantas vezes procurei
De tantas e tantas que me perdi na busca
De memórias que se evadem de mim
Sei que ela está lá
Ou pelo menos o que dela ficou
Sei que um dia ela voltará a ser o meu eu
Mas até lá sobra um vazio insuportável
Um busca constante pelo retorno da minha essência
Uma infindável angústia
Um perder de forças e sonhos

Até vou passando por aqui
De uma forma intermitente e errática
Que nem a mim me satisfaz
Sabendo que o desespero da tua fuga
Me deixou assim...vazia

Volta...imaginação minha

Gotas de chuva




Caía a chuva em gotas tristes e geladas
Em cada pétala marcadas
Pela força do presente
Caía a chuva e em cada gota trazia
Um sonho, uma ilusão, uma esperança
Um pesadelo, uma desistência, uma desilusão
Que se transformavam no poder de querer
Na força de viver
No desistir de tudo
No deixar de querer
Conforme assim o ditava
A força do pensamento
O desespero do sentimento
A ilusão do muito querer
E não ter....
Amo-te
Porque te amo
Porque não preciso de razões
Para te amar
Amo-te
Apesar das fugas
Dos defeitos
Das marcas que deixas
Indelevelmente fixas na minha alma
E nos meus sonhos
Amo-te
Sem querer pedir que me ames também
Amo-te
Sem esperar que um dia o vejas
Sintas
Ou mesmo adivinhes
Amo-te
Pela simples razão
Que te amo
Porque gosto de te amar
Amo-te
Porque como tão bem diz a canção:
Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez...Me esqueci!
De tentar te esquecer
Resolvi!
Te querer, por querer
Decidi te lembrar
Quantas vezes
Eu tenha vontade
Sem nada perder...

Fénix

Fui engolida num remoinho de vida
Um remoinho sem fim
Que me puxa para o fundo
Me tenta afogar
Procuro fugir
Procuro escapar
Ás vezes parece não ter fim nem fuga

No desenrolar do remoinho me perdi
Fugi de mim
Pretendi não existir a dor e o desespero
De procurar uma solução que parece não existir

Desesperadamente me agarrei a tudo o que sou
A tudo o que tenho
A tudo que sempre quis e sonhei

O remoinho contínua
A dor permanece
A esperança não morre mas abala
E a vida contínua mesmo sem luz

Um dia, que espero breve
Este momento não será mais que um passo
Na aprendizagem da vida
E a vida voltará a sorrir
E o meu eu ressurgirá
Que nem uma fénix que se ergue das cinzas

Uma vez mais
Como ontem
Como antes
Como sempre

Mais uma vez

Mais uma vez vieste com o teu jeito manso
Despreocupado
Culpado
Fechado
Desprendido

Desta vez algo me dizia que seria diferente
Que por fim serias meu
Que por fim confessarias
Que era eu quem procuras
Quem desejas
Quem queres

Eu...só eu

Mais uma vez me atordoaste
Confundis-te
Magoaste
Impregnaste
Possuíste
Tomaste conta
De mim, do meu eu, da minha alma

Mais uma vez me afastei
Fugi
Perdida
Destroçada
Quebrada
Entontecida
Enredada
No sem fim dos teus olhos que me cativam

Mais uma vez me procuraste
Mais uma vez quis que me encontrasses
Mais uma vez senti
Que nunca haverá mais uma vez

Disse-te adeus, as lágrimas corriam lentamente
Não as viste
Não as sentiste
Não me chamaste

Implicitamente mais uma vez mostraste
Que o meu eu não é teu

Mais uma vez....